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Sob Livros e Letras

De minha primeira experiência como leitora, eu nada me lembro. Esse fato é, com toda certeza, uma das ausências de lembranças entre as quais eu mais me orgulho de possuir. Isso porque comecei a ler antes de sequer descobrir que tinha medo do escuro.

Meu primeiríssimo livro foi um presente, de meu avô, o maior incentivador que tive e tenho até hoje.

Apesar de ele ter feito um excelente trabalho sobre meu interesse por livros, no começo eu não gostei. Carregava o livro sem abrir, adiando... Tirava do quarto, punha na sala; apoiava em qualquer lugar me decidindo se esquecia lá ou não.

Depois de um tempo, como se conversasse comigo, aquela torta de letras foi me chamando. Eu não sabia, mas a leitura e o gosto pela escrita já estavam a tempos dentro de mim, e bastou um primeiro contato para ter aquele choque, como um relâmpago que traz de volta, a memória. A partir desse dia, papel e tinta me corriam no sangue.

Cada livro que eu lia, alimentava a fogueira que era a minha vocação de sonhadora. De fato eu me tornei uma aventureira, mas essa mágica que corre nos livros é ainda inexplicável. Talvez seja um dos mistérios que ninguém desvendou por enquanto.

Infelizmente, tudo em excesso faz mal. Passei por uma fase na minha vida, de leitora inexperiente. Lia tudo, sem selecionar, sem interpretar e compulsivamente, como que embriagada por canto de sereia. Às vezes, não discernia ficção e realidade.

E novamente devo o que me tornei hoje, ao meu avô. Ele refletia comigo, filosofava, sobre tudo. Fiquei muito boa em analisar o que lia, e buscar informações por conta própria sobre meus assuntos de interesse.

Começaram a brotar em mim, sonhos inspirados em livros, e como diz meu avô, tudo se faz de sonhos. Foi maravilhoso sentir pela primeira vez um sonho palpitar junto ao coração. Descobri também, que sonhos movidos a paixão se tornam poderosos.

Isso teve novo impacto sobre a minha vida. Amadureci bem mais rápido do que os meus colegas, me tornando muito diferente. Não entendia de música ou festas. Nem dança, nem assuntos da hora do intervalo. Aliás, não entendo nada disso até hoje.

Cheguei a me sentir excluída por diversas vezes, sem perceber que eu já me mantinha longe das pessoas, com medo de que elas fizessem isso. Achava melhor me afastar por conta própria, do que esperar que me afastassem.

Pensei que enlouqueceria com tanta auto piedade inútil, pois é difícil (quase impossível) que alguém viva só. Afinal a felicidade está em amar e ser amado, conquistar uma gama de amigos que gostem de você (Quanto mais, melhor).

Sendo assim, foi decisivo que eu me aceitasse, para dar meu próximo passo. Ou escolher parar no tempo.

Comecei a ver meus talentos, não mais como defeitos, mas como o que me fazia sorrir e me sentir viva. Descobri que essas coisas que eu amava fazer, levavam meu coração a bater mais forte, e me traziam o sentimento de que um jardim imenso florescia dentro de mim sob raios de sol.

Essas coisas deram uma direção para a minha vida, um rumo que atribuiu sentido ao ser humano que eu sou. São esses os sonhos que embora eu não soubesse, me sustentaram nos momentos em que eu me via como um nada.

Tinha (corrijo: tenho) ímpeto de analisar, anotar, escrever sobre o que observo e anoto, e debater muito longamente com o meu avô, tudo o que podemos. É delicioso atravessar, de uma vez, as horas de um dia, enquanto dentro de nós se passou apenas os segundos de um minuto.

Vi nascer, não sei de onde, também um fascínio por filosofia, história, e muitas coisas que terminam em "logia", e me pegava sorrindo quando tentava lembrar, sem êxito, a última vez em que o meu jardim foi uma simples alma adolescente. Pensando agora, acho que nunca foi.

O "Hoje" considero como minha melhor fase. Porém não mudaria nada no meu passado, só procuro crescer mediante aquilo que já fui. Fazer de mim, que sou um sonho do universo, uma caixinha de sonhos meus, que são mais que razões, que motivos, que paixões... São parte da minha existência.

Digo que, minhas primeiras experiências como leitora e escritora, iluminaram o palco onde se fizeram todas as outras experiências que tive, incluindo as mais importantes e sublimes. Cada vez que novamente leio ou escrevo, sinto cada letra digitada impactar dentro do peito, numa vontade louca de não parar.

Pode ser que eu ainda tenha cem anos de vida pela frente. Mas onde quer que eu vá, ou onde eu esteja; do mesmo modo que vivemos sob as estrelas; desejo estar sob livros e letras.

Bruna Fontana - Shimme





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