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Quote from the book Adozinda - V de Volta

Adozinda estava triste. Nenhum dos seus dois colegas de trabalho queria acompanhá-la no que ela considerava que iria ser um momento de glória: a apresentação do feitiço de ressurreição dos mortos à alta sociedade portuguesa num evento em que estariam presentes todas as revistas.

- Pois bem, já que é assim, então, como gestora de topo da V de Volta, determino que a festa da Lola Belchior de Azevedo será mais uma tarefa a realizar nesta empresa. Quero que vocês vão! - ordenou a bruxinha, não resistindo a fazer uso da sua autoridade e tornando-se numa tirana, embora com algum prejuízo doloroso para a sua consciência.

- Não podes fazer isso! - defendeu-se o astrónomo.

- O que é que me impede? Sou a gestora de topo desta empresa, ou não? É o gestor de topo quem diz o que é feito a cada momento. Ir ao cocktail da Lola passará a ser apenas mais uma tarefa a cumprir.

- Sim Adozinda, só que esse tal cocktail está fora do nosso horário de trabalho. Não podes dispor do teu pessoal especializado a uma hora dessas! Um gestor só pode impor tarefas aos empregados durante as oito horas do horário normal de trabalho.

- Pois é, não posso! Só tenho oito horas. Esqueci-me. E dos amigos, será que não posso dispor fora do horário normal de trabalho? - na voz da bruxinha podia distinguir-se um profundo tom de ressentimento.

O efeito das palavras de Adozinda em Zulmiro foi imediato. A gestora de topo da V de Volta, ou qualquer patrão no mundo, nunca derrotariam o astrónomo que preferiria quebrar a abdicar dos seus direitos e da sua dignidade. Agora, relativamente à sua amiga de olhos grandes e magoados, Zulmiro é extremamente vulnerável. Cai facilmente em qualquer rasteira.

- ...Oh Zinda, claro que vou contigo! Um colaborador deve estar disponível durante oito horas, agora um amigo é para todas as horas. Um amigo não tem horário.

- Ai é?! Então porque não aceitaste logo de início? Um amigo precisa que lhe peçam?

- Desculpa Zinda!... Eu vou contigo... Como amigo!... Mas sabes que eu não gosto muito destas... ocasiões formais com gente desconhecida e... e em que é necessário vestir bem... Não tem a ver com a minha maneira de ser... Acabo por nunca me divertir...

Totalmente derrotado, Zulmiro mal conseguia encontrar palavras para se exprimir.

- Ah, então segundo a tua perspetiva, um amigo só faz coisas pelo outro quando isso é divertido! Se for preciso sacrifício, não se faz.

- Estás a ser injusta!... - queixou-se o astrónomo. E era verdade. Estava mesmo. Zulmiro era um amigo dedicado. No entanto, por vezes, quanto mais dedicada uma pessoa é, mais sofre quando lhe apontam uma falha. Era esse o caso do astrónomo. - ...Além disso, ir ao cocktail de beneficência da Lola não é assim um sacrifício tão grande!... Suponho que poderei aproveitar a festa para algum convívio social útil - acrescentou Zulmiro, como se o convívio social fosse uma pílula que ele engolisse regularmente por recomendações terapêuticas do médico.


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